A declaração final da XI Cúpula do Brics — grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — incorporou demandas do governo Jair Bolsonaro em relação a manifestações anteriores, mas manteve a defesa do multilateralismo, princípio que norteia o bloco desde o início de seus encontros.

“A política externa de meu governo tem os olhos postos no mundo, mas em primeiro lugar no Brasil, para estar em sintonia com as necessidades de nossa sociedade”, disse o presidente Bolsonaro, anfitrião do evento em Brasília, durante reunião com Vladimir Putin (presidente da Rússia), Narendra Modi (primeiro-ministro da Índia), Xi Jinping (presidente da China) e Cyril Ramaphosa (presidente da África do Sul).

O documento foi marcado pela ausência de qualquer menção à forte instabilidade política que se alastrou pelo continente sul-americano nas últimas semanas. Não há comentários sobre a longa crise venezuelana, a instabilidade na Bolívia que levou à renúncia do presidente Evo Morales ou os intensos protestos no Chile.

Questionado, o Itamaraty justificou que apenas assuntos de “envergadura global” são mencionados no documento.

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“Venezuela não está na agenda, não é um tópico para essa cúpula”, disse também Wang Xiaolong, enviado especial para a cúpula do ministério das Relações Exteriores chinês, ao ser questionado por jornalistas.

Fonte BBC Brasil

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